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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O ESCAFANDRO E A BORBOLETA







Direção: Julian Schnabel
Elenco: Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze
Gêneros: Drama, Biografia
Nacionalidades: França, EUA

O filme conta a história de Jean-Dominic Bauby, editor da revista Elle francesa, que sofre um acidente vascular cerebral e perde sua mobilidade e comunicação. O protagonista choca-se com a reviravolta em sua vida: sustentado por um mundo das aparências, cheio de glamour e, de repente, preso em um corpo incapaz de se mover e de se comunicar efetivamente. 

A metáfora do "escafandro" sugere esse aprisionamento, uma angústia claustrofóbica, a clausura imposta pela condição física limitada. Por outro lado, o raciocínio de Bauby permanece intacto, o que lhe traz grande sofrimento por ser perfeitamente capaz de observar e avaliar a sua nova situação. Com a ajuda de terapeutas, o paciente aprende a se comunicar através do olho esquerdo, piscando para expressar um “sim” ou um “não”. 

A “borboleta” representa o que JeanDo, como era chamado por todos, possuía de mais livre e leve: a memória e a imaginação. Nesses momentos, em um monólogo imaginário, o protagonista/narrador assume a liberdade (com suas asas) que lhe falta no aspecto físico. 

O grande mérito da direção de O Escafandro e a Borboleta é posicionar o espectador no lugar do protagonista, experimentando a visão restrita de Bauby.  Talvez, este seja o aspecto mais genial e, ao mesmo tempo, mais insuportável do filme. 

Não é algo fácil de digerir, muito menos divertido, mas o filme vale como experiência que força a expulsão da zona de conforto. Não pretendo assistir novamente às cenas pesadas, mas reconheço que há muita poesia tanto no título quanto no desenvolvimento de toda a trama. 

O tom lírico prevalece criando um clima denso de total introspecção que incomoda bastante. Pelo menos, a mim incomodou. Isso é ruim? Não, necessariamente, pois o desconforto leva a pensar, a refletir sobre valores relegados a segundo plano em nosso cotidiano.

Não é uma obra cinematográfica que cause indiferença, longe disso. O mal-estar, instalado logo no início do filme, percorre todos os minutos seguintes. Admito que, apesar de me sentir muito incomodada com o ritmo moroso, que transforma as cenas em um corredor de cenas cada vez mais estreito, não há como negar a alta qualidade da produção. 

Tudo neste filme é inovador, com traços tão particulares que supera fácil outros trabalhos do mesmo nível. Por essa excelência, O Escafandro e a Borboleta recebeu críticas bastante positivas e levou o prêmio de melhor direção em Cannes, em 2007. 

Se você for claustrofóbico e não gosta de se sentir preso em outro corpo, desista de assistir a O Escafandro e a Borboleta. No entanto, se deseja experimentar novas sensações e aceita rever seus conceitos, mergulhe fundo com Jean-Dominic Bauby. Afinal, existem borboletas mesmo no claustro.

Cotação: ***

Um comentário:

  1. Lembro de ter gostado do filme. Aquele "gostado" esquisito, justamente por ter sentido esse desconforto que você citou. Não deixa de ser um grande mérito (e acredito que parte da proposta) do filme.

    E às vezes a gente reclama que não tem condições favoráveis para escrever...

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