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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

EM NOME DE DEUS





Título original: The Magdalene Sisters

Direção: Peter Mullan

Elenco: Anne-Marie Duff, Nora-Jane Noone, Peter Mullan

Nacionalidade: Irlanda, Reino Unido.



Sabe aquele filme que você pegou pela metade quando passou pela TV? Aquele filme que deixou lacunas na sua memória e você se prometeu decifrar mais adiante? Pois é, foi o que aconteceu com EM NOME DE DEUS.

O interessante é que quando comecei a assistir ao filme irlandês pela segunda vez, não me dei conta de que era aquele

O filme é inspirado nas instituições chamadas de Asilos de Magdalena, que existiram na Europa e na América do Norte, desde o século XIX até 1996. Estima-se que cerca de 30.000 mulheres passaram por essas instituições punitivas.

A história começa na década de 60, mais precisamente em 1964 (a data me é bastante familiar), na Irlanda, jovens são condenadas a viverem em um convento como punição dos seus pecados. Margaret (Anne-Marie Duff), apesar de ter sido vítima de um estrupo, cometido durante uma festa por seu primo, acaba sendo arrastada para o convento. Bernardette (Nora-Jane Noone), cujo único pecado parece ser o de primar pela beleza e chamar a atenção dos homens, também é levada para o julgo das freiras. Há também duas mães solteiras, desprezadas pela família e pela sociedade, que recebem a chance de purgar suas maculas: Rose (Dorothy Duffy) e Crispina (Eileen Walsh).

Apesar do convento não ser uma prisão oficial, a pena imputada a essas jovens não tem prazo determinado. Lá, elas são submetidas a uma disciplina bastante rígida, trabalhos forçados na lavanderia, castigos físicos pesados. Isoladas do mundo, as internas são conhecidas como "as irmãs Magdalena", em referência à Maria Madalena. O filme revela todo o peso da intolerância, da humilhação sofrida sob a austeridade e ausência de caridade das madres.

A fotografia funciona bem, principalmente no início do filme que me enganou com uma singeleza inexistente. Mais adiante, uma cena com o padre, “não um homem de Deus”, conseguiu me fazer rir pelo inusitado e soltar um suspiro acompanhado de “bem feito”. A interação e cumplicidade (forçada pela convivência) das moças também ameniza a trama pesada.

É um filme agradável de assistir? Não, não é. Um tema difícil, que esbarra em tabus e preconceitos ainda perceptíveis nos dias atuais. No entanto, a fita prende a atenção, pois todos querem conhecer o destino das jovens “heroínas”. Chance de final feliz? Depende de como você encara a trama apresentada. Pelo menos, eu cumpri minha promessa: filme visto inteiro e sem pausas. 


Cotação: ***

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